História dos Desfiles das Escolas de Samba do Rio de Janeiro

O primeiro concurso entre escolas de samba ocorreu no dia 20 de janeiro de 1929, dia de São Sebastião (Oxóssi), um domingo, na casa do Sr. José Gomes da Costa, Zé Espinguela, na antiga Rua Engenho de Dentro, hoje Adolfo Bergamini.
Zé Espinguela, mulato, festeiro e macumbeiro, era um conhecido sambista da Mangueira tendo sido presidente do Bloco dos Arengueiros e fundador do G.R.E.S. Mangueira. O concurso foi uma competição de samba entre as escolas.
Segundo Cláudio Bernardo da Costa e Antônio Rufino, fundadores da G.R.E.S. Portela, já falecidos, concorreram três escolas de samba: Conjunto Oswaldo Cruz (Posteriormente chamada de Quem Nos Faz é o Capricho, depois chamada de Vai Como Pode e, finalmente de Portela), a Mangueira e o Estácio. O saudoso Juvenal Lopes, fundador da G.R.E.S. Mangueira, diz que também a Favela participou. Há quem também inclua a Unidos da Tijuca. Cada escola podia concorrer com um máximo de duas composições.
O Conjunto Oswaldo Cruz foi representado por Heitor dos Prazeres e Antônio Caetano; a Mangueira, por Cartola e Arturzinho; e a Estácio, por Ismael Silva.
O vencedor do concurso foi o samba de Heitor dos Prazeres. Entretanto, o resultado não foi bem recebido, e houve protestos e tumultos no dia das apresentações. A idéia de Zé Espinguela era promover uma grande festa para a entrega das premiações. Entretanto, começaram a surgir rumores de que haveria pancadarias e violências, pois o pessoal da Mangueira e do Estácio não se conformava com os resultados, principalmente os últimos, revoltados com a desclassificação do samba de Ismael Silva, por ter se apresentado com um conjunto musical onde havia instrumento de sopro (a flauta de Benedito Lacerda).
Foi então resolvido que os prêmios individuais seriam substituídos por homenagens às escolas de samba participantes, com taças iguais diferençadas apenas por fitas coloridas.
As cores escolhidas para as fitas simbolizavam as tendências já existentes entre as agremiações. Assim a taça do Conjunto Oswaldo Cruz levou as fitas azul e branca por causa de N.S. da Conceição, madrinha da escola; a Mangueira ficou com as fitas verde e rosa, cores sugeridas à Escola por Cartola, por causa do Rancho dos Arrepiados do qual fazia parte; e a do Estácio com fitas vermelho e branco, devido à identificação da escola com o clube de Futebol América. Alguns autores consideram o episódio como o verdadeiro fixador das cores das Escolas de Samba. A festa ocorreu no dia 10 de fevereiro de 1930, domingo de carnaval, nas escadarias da Escola Benjamim Constant, na Praça Onze.
O vencedor do concurso, Heitor dos Prazeres, embora não tivesse levado o prêmio, tirou proveito do fato assumindo a liderança, até então contestada em Oswaldo Cruz. De imediato, determinou a troca do nome "Conjunto Oswaldo Cruz" para "Quem nos Faz é o Capricho", tendo também criado uma bandeira para a agremiação. A iniciativa, que teve o apoio de Paulo da Portela sofreu restrições de outros sambistas da área como Antônio Caetano, Rufino e Manuel Bam-Bam-Bam. Nos anos de 1929 e 1930 a escola de samba de Oswaldo Cruz saiu com aquele nome. Em 1931, Heitor dos Prazeres foi afastado, sendo substituído o nome que ele deu, por "Vai Como Pode".
O primeiro encontro entre as nascentes escola de samba condicionou o clima de animosidade que durante muitos anos prevaleceu na disputa.
A divisão em grupos, das Escolas - e as variantes - só aconteceu a partir de 1952. Aqui estaremos procurando contar a cronologia dos desfiles, as comissões julgadoras, os quesitos julgados e as principais alterações nos regulamentos em cada ano.


SAMBA ENREDO

Em quase todas as escolas de Samba paulistanas do grupo Especial, os enredos já foram definidos, outras aguardam a sua sorte. É uma correria danada, em meio à crise poucas escolas de samba se arriscam a montar seu carnaval somente com os cachês artísticos da prefeitura e outras verbas muitas vezes já comprometidas. Devido a isso estamos vivendo um fenômeno interessante, pois nos meses de junho em outras épocas muitas escolas já estariam com seus enredos definidos. Ao invés disso grande parte das escolas de samba demorou para definirem seus enredos pois há dependência de patrocinadores, elemento vital para iniciarem seus trabalhos.
Alguns compositores “já liberados para voar”, começam a baterem suas asas e estabelecer “n” estratégias de convencimento, seja dos jurados, das torcidas, da bateria e principalmente das diretorias para lograrem êxito em seus intentos. Quanto aos sambas de enredo nos dias de hoje, jamais podemos afirmar que a excelência da obra é fundamental para ganhar a disputa, dependem de inúmeros fatores, principalmente saber qual a melhor maneira de fazê-lo, pois ficam condicionados a inúmeros percalços.
Primeiro, pensar em compor um samba “livre”, voando nas asas da poesia, é uma temeridade pois os autores sabem que é muito difícil ir avante e emplacar suas obras nas disputas. Brigam com suas considerações pessoais e formação sambística, mas acabam sucumbindo à razão momentânea e passam para o segundo passo.
No segundo passo, acabam se adequando às imposições que não são poucas, umas oriundas dos donos da escola, outras das comissões de carnaval, diretorias, presidentes, carnavalescos, patrocinadores etc. que de uma forma ou de outra acabam adquirindo “direitos” sobre a obra dando seus pitacos, e assim acabam aprisionando a verve poética dos compositores.
Num terceiro passo, muitos vão montando seus quebra cabeças, tomando um cuidado enorme para não “infringir” normas pré-estabelecidas. Saem a cata de palavras, frases, rimas “mágicas” para montarem seus quebras-cabeças e nessa caminhada, muitas vezes perdem o fio da meada.
A migração cada vez maior dos compositores pelas escolas de samba vai tornando as obras similares. Em determinados momentos é possível cantar um samba enredo com outra melodia... Parece que tudo vai ficando igual, as rimas os versos e as melodias parecem se encaixar perfeitamente. E assim, vamos ficando cada vez mais presos ao passado daqueles sambas livres, poéticos, reais e sedutores. Sambas que desafiam nossa mente, tornando-se imorredouros. E muitas vezes, ouvimos que tudo isso é por conta da evolução, o samba cresceu...
È verdade também que outros fatores contribuem para que os sambas enredos tenham uma vida efêmera, como a pouca divulgação das obras, a distribuição caseira dos CDs, a rara veiculação nas emissoras de radio e televisão e por ai vai. Algumas vezes mudam-se os enredos, porem nada de novo é acrescentando. Seja na forma de fazer a letra, na melodia, alegoria, fantasia etc. parecem águas que correm para a cachoeira, buscando a queda inevitável. Dessa forma, muitas vezes acabamos fazendo a mesma leitura de desfiles passados. A nós pobres amantes dessa arte, resta esperarmos o fim da estiagem...


CARNAVAL

Aqui não era carnaval, mas a tal de "Festa do Entrudo" - vinda da capital portuguesa, Lisboa. Nada de máscaras, blocos, desfiles de ruas. No carnaval carioca do século passado, as batalhas com água e outros tipos de brincadeiras faziam a animação do Rio. Mas logo no primeiro baile, realizado no dia 22 de janeiro de 1835, no Hotel Itália, os foliões cariocas não resistiram ao encanto das máscaras, bigodes postiços, da fantasia, enfim.
Adotar os acessórios que enfeitavam todos na festa de Momo, tudo bem. Mas nada de batuque de maracatu ou de qualquer outro ritmo que dava o tom do carnaval no Nordeste. No Rio, a polca era a dança que Momo e seus súditos teriam que aprender. Só quando chegou o Carnaval do Zé Pereira - período que marcou época no carnaval do Rio de Janeiro quando um sapateiro português, conhecido como Zé Pereira, em passeata pelas ruas, animava a folia carnavalesca - é que o som dos zabumbas e tambores animou os foliões por aqui. Essa abertura permitida deixou o samba à vontade para invadir as ruas e avenidas do Rio. Cuícas, tamborins, tambores, pandeiros e até frigideiras (espécies de panelas) - valia tudo para fazer o folião sambar. Estavam sendo formados os primeiros blocos e escolas de samba cariocas que nunca mais deixaram Momo parado no Rio de Janeiro.
Precedidos na escala do tempo pelos Ranchos, uma tradição autêntica do Carnaval brasileiro, sobre os quais, por sinal, as escolas de samba foram buscar os modelos e a estrutura do seu funcionamento, estas, no entanto, ao iniciarem seus desfiles pelas ruas do Rio de Janeiro, praticamente empolgaram o público e conquistaram desde então a primazia.
O primeiro desfile de escolas de samba ocorreu em 1932, na Praça Onze, sob a promoção do jornal Mundo Esportivo, tendo conquistado o 1o. Lugar a Estação Primeira de Mangueira.
O primeiro desfile de Escolas de Samba com arquibancadas para assistência e vendidas ao público, foi no Carnaval de 1962, na Avenida Rio Branco, com 3.500 lugares.


AS RAINHAS DE BATERIA

As rainhas de bateria das escolas de samba tem que ser da comunidade. Se for para garantir visibilidade e ajuda financeira para a escola é melhor colocarem as “forasteiras” como madrinhas. Mas sabemos que é preciso também que elas tenham o diamante da humildade, pois diante de tantos flashes não é qualquer uma que se priva dos seus momentos de fama, principalmente diante das câmeras de uma televisão. Afinal quem se importa com a comunidade? Se os responsáveis pela própria escola optam pelas “emboabas” quem será contra...
O que é mais triste nessa história é que os sonhos de muitas meninas da comunidade ficam impossíveis de serem realizados. Acabam ficando engavetados ou então parados nas trincheiras da ilusão. Nascem, crescem, brilham... Mas não conseguem chegar lá, existe a barreira da insensatez. Talvez um dia isso mude, talvez um dia os “capazes de mudar essas aberrações” se conscientizem da nobreza que são as “Escolas de Samba” criarem seus principais valores. Torna-los midiáticos ou não é secundário, mas nessa seara, os alunos são importantes, pois acabam dignificando as escolas de samba. É muito bom poder dizer em alto e bom tom:-
“Esse aprendeu aqui”.
No contrário se não houver “formandos” nessa escola, é possível afirmar que a escola não é "Escola de samba" é Escola de “desfile”. Uma escola montada somente para desfilar em busca do titulo ou da sobrevivência no grupo.Morre após o desfile e vai como Fênix se juntando durante o ano para renascer diante de um novo desfile...
Nas escolas de samba verdadeiras, nossos artistas deveriam ser outros, mas infelizmente nos dias de hoje, não é bem assim que acontece. Quando falo de midiáticos é de uma forma que haja por parte deles sustância, o samba verdadeiro ou pelo menos conhecimento básicos sobre a escola que desfilam,é o mínimo que esperamos...
Será que amor de verdade ao pavilhão é utopia? Sei lá, sonhar é preciso... Rainhas como Guga (Camisa), Catatau, Maria (Rosas), Nani (Morada) e tantas outras que vi, eram exemplos de verdadeiras donas do terreiro, não estavam ali para enganar ninguém. Realmente apresentavam suas baterias, mas hoje estão se tornando raras. São tantas desilusões que poucas se arriscam ao trono sem rei.
Quem dera um dia as rainhas, os MS/PB, os puxadores de samba, os harmonias, compositores e demais segmentos específicos de uma escola de samba possam seguir a trajetória natural. Isto é chegar à suas velhas guarda vivos dentro da escola... Nos dias de hoje isso está me parecendo impossível, queira Deus que eu esteja errado.
A concepção é a seguinte:
As escolas estão cada vez mais priorizando os cacos de vidro e largando os diamantes para traz... À medida que o tempo passa, ao olharmos para traz enxergamos um brilho intenso, porem quando olhamos para frente, o brilho vai sumindo, vai tornando-se opaco e o pior os diamantes vão se tornando raros...



ALA DAS BAIANAS
Sra. Feliciana Viana
(Filinha)

Eterna Presidente.

As Baianas têm uma parcela de contribuição ao samba e as escolas de samba em potencial fascinante. Através de sua luta criaram a concepção de ”raiz” no samba, que nada mais é do que a manutenção das tradições, tão desrespeitadas e falseadas nos dias de hoje. Através das grandes reuniões com rodas de samba e saborosos quitutes, as Baianas formam a ala mais importante de uma ESCOLA DE SAMBA.

"É composta, preferencialmente, por senhoras vestidas com roupas que lembram as antigas TIAS BAIANAS dos primeiros grupos de samba, no início do século XX, no Rio de Janeiro. Representa a tradição, a própria alma feminina da escola. As Baianas tiveram origem nas "Tias" do início do século passado, as negras baianas vindas para o Rio de Janeiro especialmente na última década do século XIX e na primeira do século XX para morar na região da Cidade Nova, do Catumbi, Gamboa, Santo Cristo e arredores. Era na casa dessas "tias" que se reuniam os compositores e malandros, como Donga e João da Baiana, faziam saraus musicais regados a muita bebida e tira-gostos. As baianas eram, portanto, aquelas que nutriam os compositores e forneciam a base, a casa, para o desenvolvimento do samba. “Faziam o papel de mãezonas, mas sem o aspecto repressivo (daí, talvez, a expressão tia seja mais adequada).”

Hoje é possível, ver no samba algumas aberrações se tornando verdades na boca de tanta gente. Existe “sambistas”, que não tocam, não dançam, não compõem e não cantam, atravessam até “batendo palma” (como dizia o saudoso MESTRE FEIJOADA) e o pior é que muitos estão fazendo “palestras” e ditando regras dos rumos que o samba tem que tomar... Imaginem vocês. Ainda bem que entre outras nulidades ainda existem algumas alas de baianas mantendo a chama do samba acesa. Embora as “meninas” desfilem com a nobreza que lhes é peculiar, salvo raras exceções, carregam o peso de suas roupas como se fosse a sua própria cruz, (à medida que o desfile transcorre o peso da cruz aumenta). Isso normalmente origina-se pela falta de consciência, percepção e as vezes até vivência acerca dos inúmeros problemas que enfrentam dentro das escolas ( se é que podemos chamá-las de escola samba). Muitos dos carnavalescos com suas “criações” jamais vestiram uma fantasia e não imaginam o que é desfilar com uma fantasia grandiosa, descabida e pesada, outros mais sensíveis “adequam a beleza ao peso mínimo”.

As baianas valem “ouro”, pela quantidade (pontos), qualidade, fantasia e desempenho e “diamante” pela benção, ou melhor, pelo axé que trazem através de sua ancestralidade. Não tenho certeza mas parece-me que nos anos de 1960 a 1962, na Mangueira, foi criada a Ala das Baianas com as características atuais. Das 125 baianas coordenadas por D. Neuma, (a grande 1ª dama da Verde e Rosa), foi no desfile das campeãs em 1970, (Gestão do Presidente Juvenal Lopes) que ocorreu a morte da mais famosa baiana da “Velha Manga” Nair Pequena, morreu em plena avenida, quando a escola cantava o samba de enredo "Um Cântico a natureza".

Sabe-se que a ala de baianas na década de 30 era formada, quase exclusivamente, por homens que saiam nas laterais, das Escolas, portando navalhas presas as pernas para defenderem as agremiações em caso de brigas. Axé minha mãe baiana!!!

“Preciso volta à Bahia/preta veia mandou me chamar/preciso volta à Bahia preta veia mandou me chamar/ pra benzer o corpo/sarava a banda e beijar o conga/quando lá chegar vai melhorar o meu astral/a Bahia é sagrada herança africana é transcendental/vem pra roda menininha/que o samba de roda não pode parar/ depois vamos pra Itapuã/lá no bar do Marron para namorar... olha o ti-ti-ti...

Até breve Mestre No, Abaeté e Senhor do Bonfim/Já fui à cidade alta/cidade baixa e são Joaquim/sou da terra da garoa/ onde tem umbigada e cateretê/hoje tem partido alto lá na Cachoeirinha não posso perder... “Olha o ti-ti-ti...”

BATERIA

A bateria reúne diversos tipos de instrumentos de percussão cujas peças encouradas de batidas uníssonas, de sons graves e agudos dão um desenho ao ritmo.
O momento de real importância no desfile é a entrada e a saída da bateria do box, quando é necessário utilizar de muita prática e experiência para evitar a dessarrumação dos instrumentos e o atravessamento.

Cabe ao diretor de harmonia o conhecimento específico neste setor, orientando e auxiliando o mestre e o diretor de bateria.

Surdo de primeira

É o maior surdo e o que dá o andamento principal ao samba, servindo como base. Os puxadores se guiam por ele para não acelerar ou desacelerar o canto do samba. Em geral, há um surdo de primeira junto aos puxadordes, como guia. Tem uma afinação mais forte e mais aguda do que a dos surdos de resposta.

Surdo de segunda

É a resposta ao surdo de primeira. Serve como sustentação para o samba no momento em que o surdo de primeira está 'parado', sendo um contraponto.

Surdo de terceira

Aparece entre os outros dois (um pouco antes do surdo de segunda). Serve para dar um molho especial à cadência, quebrando a dureza dos outros surdos e dando um balanço à marcação. A batida varia de escola para escola, pois cada uma utiliza um tempo de corte.

Caixa de guerra

É o que dá o som característico ao samba. Só com o som da caixa já se pode identificar uma escola de samba. É sempre tocado com duas baquetas, e tem duas cordas sobre o 'couro' que dão uma afinação diferente. Marca o andamento, mas permite floreios que não ocorrem nos surdos. A forma como se toca uma caixa varia também de escola para escola: algumas utilizam o instrumento embaixo, na altura da cintura, tocando normalmente com as duas mãos; outras põem a caixa 'em cima', utilizando uma mão como apoio e a outra livre. O tarol é uma caixa de guerra mais fina. O som é muito semelhante, e o tarol, em tamanho, equivale a 'meia caixa'.

Repique

É uma resposta à caixa. É bastante utilizado nas paradinhas e nas viradas do samba, como 'senha' para a volta dos demais instrumentos. Antigamente, utilizava-se predominantemente o repique nas paradinhas. Hoje, já admite-se o uso de chocalhos, tamborins e outros, enquanto o resto da bateria silencia.

Chocalho

É formado por várias fileiras de 'chapinhas'. Há chocalhos com duas, três, quatro, cinco e até seis fileiras. Não há uma grande diferença no som dos chocalhos devido ao número de fileiras (mas uma maior quantidade de fileiras produz um som mais forte). Esse instrumento aparece mais nos refrões, e fica passagens inteiras do samba sem ser tocado. O chocalho ajuda a caixa a dar o suingue do samba, mas é mais leve.

Tamborim

É um dos instrumentos mais importantes, já que faz todo o desenho do samba. Enquanto os surdos e a caixa fazem uma marcação contínua, o tamborim faz diferentes bossas no samba. Sua baqueta pode ter ponta única ou múltipla, o que produz sons diferentes. Por sua importância dentro da bateria, o naipe de tamborins costuma ter diretores específicos para ele.

Cuíca

O som da cuíca é produzido através de uma pequena haste que fica em seu interior, que puxa um esticadíssimo couro que reveste o instrumento. Seu andamento é dependente da marcação dos surdos, que são seguidos pela cuíca. As cornetas e outros apetrechos que aparecem em algumas cuícas na Avenida são meramente decorativas.

Agogô

Tem um dos sons mais agudos da bateria. A bateria do Império Serrano é famosa por privilegiar seu naipe de agogôs, o que acabou por se tornar uma das maiores marcas da escola. Em 2001, serão mais de 50 agogôs na bateria da verde-e-branco de Madureira.

Reco-reco
Formado por uma haste e um pedaço de madeira (ou metal), seu som é produzido pelo atrito entre essas partes. Algumas baterias já não têm mais reco-recos entre seus ritmistas, mas muitas ainda mantêm esse instrumento. O instrumento observado à esquerda é feito de metal, assim como sua vareta.

Pandeiro

Dá um ritmo característico ao samba, mas tem um som pouco audível no conjunto da bateria. Por isso, muitas escolas aboliram o pandeiro de suas baterias. É usado como 'alegoria' por muitos ritmistas, que o tocam para as mulatas sambarem e fazem coreografias.

Prato

Outro instrumento utilizado basicamente como 'alegoria' pelos ritmistas. Em geral, as escolas têm uma ou duas pessoas com o prato, à frente da bateria, sambando e fazendo malabarismos com os pratos. O som, produzido pela batida de um prato no outro, é bastante forte.
A Bateria é o coração de uma agremiação, que sustenta com vigor a cadência indispensável para o desenvolvimento do desfile da mesma; o canto e a dança se apóiam no ritmo da Bateria.

O(s) intérprete(s) da agremiação sustentam a melodia do samba cantado, e dependem de um bom entrosamento rítmico (bateria) e harmônico (cavaco, violão e banjo), transmitindo aos componentes a alegria necessária para o bom desempenho no desfile, é o conjunto de instrumentos de percussão, comandado por um ou mais diretores, que conduz o ritmo para toda a Escola.
Em nosso Carnaval encontramos três tipos de Bateria:

A Pesada, que é aquela onde o som dos naipes graves se destacam;
A Leve, que é aquela em que o som dos naipes agudos se destacam;
e A Intermediária, que é a que tem o envolvimento sonoro de todos os naipes, no mesmo nível.

O perfeito entrosamento dos naipes, cada qual com sua afinação, fará com que o julgador ouça perfeitamente todos eles, isso sim observando a tendência dos três tipos de baterias citadas acima.
Alguns instrumentos são considerados básicos e indispensáveis na formação de uma Bateria. São eles:
SURDO (naipes graves),
REPIQUE (naipes agudos),
CAIXA (naipes agudos),
TAMBORIM (naipes agudíssimos)
e CHOCALHOS (naipes agudíssimos).

É através deles que se tem a referência para a análise rítmica da Bateria, devendo-se observar a equalização do mesmos. Assim como o andamento deve ser analisado através da pulsação dos surdos e seus complementos (citados acima).

A criatividade de cada Bateria não se discute, uma vez que ela é uma concentração popular eclética na sua formação, com a participação das mais diferentes classes sociais e culturais de nosso país, sendo assim cada entidade tem o direito de fazer o que bem entender nos seus desenhos rítmicos, ou seja, uma bateria pode conduzir todo o seu desfile sem que faça qualquer tipo de evolução rítmica no decorrer da apresentação, e também tem a liberdade de fazer qualquer tipo de breque convencional ou breque de silêncio, desde que nenhum deles causem descompasso no desfile da entidade. No caso de eventual(is) convenção(ões), o julgador deverá avaliar o efeito sonoro e a precisão da retomada após a mesmas, podendo marcar a pulsação no sistema mecânico, ou seja, acompanhar a primeira marcação e a segunda com o movimento das mãos, ou dos pés (marcação ou surdo) e avaliar o desempenho de seus complementos no intervalo das marcações.

ALA DOS COMPOSITORES

Às vezes chego a algumas rodas de samba e vejo compositores com uma verve poética muito boa, cantar horas a fio músicas de muita gente e talvez por timidez, medo de não agradar os que estão na roda e ou assistindo deixa de cantar verdadeiras pérolas de sua autoria. Sempre acreditei que se os compositores paulistas cantassem suas músicas ao invés de ficar exaustivamente repetindo músicas de sucessos dos outros o samba de São Paulo poderia ter “alçado vôos mais altos”.

Acredito que é muito importante o compositor, principalmente de samba, focar sua inspiração em sambas que não sirva á “modinhas passageiras” que muitas vezes buscam o lucro fácil lhe impondo muitas das vezes um caminho a seguir. É importante que faça sambas ou quaisquer outros tipos de músicas de acordo com sua inspiração e musicalidade.

Se for samba de enredos se prepare pois tudo pode acontecer. Lembre-se que nem tudo dependera da grandeza de sua obra. Faça também sambas de quadras demonstre através de sua criatividade musical o seu amor pelo pavilhão da escola!

O resgate dos sambas de enredos que “se foram” será sempre comparado aos de hoje e servirão apenas para emergir discussões intermináveis sobre o que seria melhor... Os sambas do passado ou os atuais? E nessa seara costumamos secar várias garrafas de cerveja lembrando sambas que nos dão uma aula de história...

Uma sacada legal para as escolas de samba seria alem das disputas de samba de enredo (com suas fórmulas bastante contestadas) voltar os festivais de sambas de quadras. Pois esses são muito importantes para o exercício cultural que a música propicia e também para o surgimento de novos compositores. Principalmente nesse atual momento de escassez cultural que vive as escolas de samba.

Caso saia do nicho “Sambas Enredos” tenha cuidados com o direito autoral, registre suas músicas. Mostre para os cantores renomados, para os não renomados, para os cantores da noite, artistas e amigos, divulgue, cante suas músicas nas rodas de samba, no banheiro, na escola de samba, nos barzinhos, nas batucadas, não seja “papagaio da noite” reproduzindo somente músicas de sucessos e músicas dos outros.

Mostre sua arte que pode ser em parceria ou somente sua, sobretudo quando chegar em algum lugar que possa apresentá-las. Não se preocupe mostre pois nem sempre o compositor é um grande cantor. Não resuma seu dom de compositor á escola de samba, pois muitas das vezes é pura perda de tempo, dinheiro e poesias.

Mas atenção, faça tudo isso após registrar suas músicas (Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro), faça parte de uma associação de compositores, são muitas Abramus, Sicam etc. elas orientam como fazer esses registros, enfim... Divulgue seu trabalho!

A gravação de suas músicas pode ser feita em casa, ou em pequenos estúdios de forma básica, somente para divulgação, hoje está muito mais fácil. Há diversas formas de divulgá-las pode ser pela internet, pela web (music online, demo club, cifra club etc.) poderá também fazer contato com cantores, grupos, gravadoras etc. Nos dias de hoje, lembre-se estamos vivendo a era dos “independentes”. Como compositor entre no site dos grandes artistas e mande suas músicas, não custa nada tentar... Se der certo pode ter certeza ficara muito mais feliz pelo reconhecimento, veiculação e aceitação do povo pela sua música.

Seja um produtor cultural, “não deixe que ponham cordas no seu bloco”, não seja somente um compositor de escola de samba, é muito pouco para quem verdadeiramente recebe o sopro do criador...

HARMONIA

O Segmento mais cobrado dentro de uma escola seja em Quadra ou Desfile.

Após a escolha do enredo, já se começa a realização do trabalho da Harmonia em paralelo a confecção dos protótipos das fantasias para produção. A partir deste momento, com prós e contras, para a difícil tarefa que é deixar a Escola de Samba preparada para o desfile, enfrenta-se as etapas para escolha do samba-enredo que será cantado na avenida, ensaios de canto, dança e de bateria, sem contar o conteudo existente no barracão peças(ferros, madeira, telas entre outros) para completarar o cenário do desfile em carros alegóricos acoplados, ou não, com ou sem movimentos nem sempre práticos. Envolvendo dezenas de pessoas que em desfile, serão dirigidos e conduzidos por diretores com uma importância enorme: os diretores de harmonia.

Os diretores de harmonia são peças de suma relevância durante o desfile. Fazem com que tudo funcione conforme já estabelecido pelo diretor de Carnaval, juntamente com o carnavalesco e a direção da escola. Depois que todas as diretrizes são definidas é importante que os diretores tem de estar bem preparados para que tudo funcione corretamente. Em diversos casos, existem escolas que colocam diretores mal preparados em desfile para exercer esta função de vital importância, pessoas que desconhecem o planejamento, que nada fazem a não ser passear pela avenida dando ordens completamente fora de sintonia com os verdadeiros responsáveis pelo desfile. Em casos como este o trabalho de um ano inteiro pode ser jogado fora, quer por negligência ou pura falta de conhecimento.

Os que estão envolvidos no trabalho procuram seguir a risca o combinado, mas sempre se deparam com o pseudo-entendido, aquele que só aparece dias antes do desfile principal, cheio de razão, querendo mudar todo o planejamento de um largo ano de trabalho.

A função do diretor de harmonia, que nem sempre é reconhecida, começa dentro da quadra de ensaios e chega até o desfile final. Ele faz com que todos os componentes cantem em sintonia com o puxador de samba acompanhado pela bateria. Encarrega-se da correta ocupação do espaço correspondente a cada componente, dentro de cada ala e da fluidez contagiante do "cantar o samba", que ajuda ao bom andamento da escola e por conseqüência auxilia a harmonia durante a passagem da escola na passarela.

A responsabilidade dos diretores de harmonia dentro da escola é muito maior do que parece, eles tem que observar, além do mencionado, todos os detalhes das fantasias que os componentes trazem, porque, na maioria das vezes os diretores de alas ocultam problemas, trocam os materiais apresentados nos pilotos, tiram adereços, deixam falhas de acabamento, às vezes sem calçados adequados ou diferentes, deturpando a representação inicial. Os diretores têm ainda que observar a harmonia musical da escola, o carro de som, a sincronia do canto e bateria, o posicionamento dos casais de Mestre Sala e Porta Bandeira, se a comissão de frente está completa, se os destaques dos carros alegóricos estão posicionados nos seus devidos locais, se os efeitos propostos funcionarão perfeitamente, se o tempo de desfile está cronometrado com o tamanho da escola.

Nem sempre, o que se ensaia dentro de uma quadra, funciona corretamente na pista de desfile. Dependendo do clima que os diretores de harmonia transmitem aos componentes, podem transformar um projeto genial em uma apresentação catastrófica. Os ensaios de coreografias determinados aos componentes que não correspondem ao andamento do desfile, a falta de sincronização do canto com a bateria, fazem com que a escola tenha um desfile desencontrado, à conseqüência perda de pontos importantes. Enfim, qualquer descuido, significa muitos pontos perdidos que podem ser a consolidação do campeonato ou um terrível rebaixamento para o grupo de acesso.

Outra tarefa importante que faz parte da responsabilidade da harmonia é a retirada das gigantescas alegorias da concentração já com todos os cenários montados e posicioná-las na cabeceira da pista já com a escola em andamento no seu esquenta. Cuidar delas durante o desfile e estar preparado para qualquer eventualidade que possa ocorrer.

Depois de tudo ao término do desfile, terão ainda que reposicionar as alegorias fora da pista, retirar seus componentes, abaixar as talhas e empurrar os carros até o local de dispersão onde ficarão aguardando o resultado da apuração para saber se a escola desfila de novo, ou se volta ao barracão onde foram construídos.

O quesito Harmonia em um desfile nota 10

O julgamento do quesito harmonia considera um desfile nota 10 quando a escola é perfeita na igualdade do canto e a manutenção de sua tonalidade com o intérprete da escola, do início ao fim do desfile formando um grande coral, transmitindo a todos os componentes e espectadores, alegria, descontração, entusiasmos e externando felicidade. Mantendo o espaço entre as alas e alegorias, sem a penetração de uma na outra ou abrir claros durante a passagem da escola.

É também importante que na escola, durante a sua evolução, os componentes desfilem tranqüilos sem correria ou retrocesso para tampar os buracos que ficam em função de uma ala que evolui mais rápido que a seguinte. Essa evolução tem que ser marcada com criatividade, empolgada pelo samba e pela vibração contagiante transmitida pela bateria, mantendo o espetáculo animado e coeso mesmo que haja algum problema com o sistema de som.

São considerados normais os espaços deixados entre os casais de mestre-sala e porta-bandeira, comissão de frente e alas ou grupos com coreografias especiais devidamente ensaiadas para a apresentação durante o desfile da escola. O buraco deixado pela bateria deve ser preenchido pela ala que vem atrás obedecendo ao critério que foi determinado pela direção de harmonia, bateria e o diretor de ala, tem que haver bom senso e cuidado para não extrapolar, pois isso terá um efeito dominó em todo o conjunto.

Um bom diretor de harmonia deve ser educado com os componentes, não tocar em hipótese alguma no desfilante, ter extremo bom senso, prever os possíveis erros, focar na assertividade e estar seguro em suas decisões. Vejam quão duras é a posição da harmonia que deve ter todas as qualidades já mencionadas, não ganha nada pelo que faz e às vezes é julgado pelos erros de uns poucos que chegam despreparados, sem conhecimento do projeto do Carnaval e tem mais autoridade de quem está o ano todo planejando um desfile perfeito.

NÃO CONFUNDA HARMONIA DA ESCOLA COM O QUESITO HARMONIA

Uma coisa há de se considerar, já vi muito gente "entendedora" de samba se “embananar” todo na hora de comentar sobre o quesito Harmonia e colocar a culpa das notas baixas deste quesito na “Harmonia da Escola”. Então vamos desfazer logo esse mal-entendido.

A Harmonia de uma escola tem a missão além de todo aquele trabalho importantíssimo na quadra, para garantir espaços para evolução do MS e PB, Passistas, Baianas e Rainha, tem a missão de conduzir a escola por toda a avenida. A principal missão da Harmonia na Escola é garantir e incentivar a EVOLUÇÃO dos componentes na avenida. Esse é o quesito onde é avaliado o trabalho da equipe de harmonia. Então na essência dste trabalho da equipe de harmonia estão em jogo, direta ou indiretamente, quase todos os quesitos, principalmente o de evolução.

No quesito evolução será julgada a progressão da dança de acordo com o ritmo do Samba que está sendo executado e com a cadência da Bateria. Onde o jurado deverá considerar:

1º) A fluência da apresentação. Penalizando a ocorrência de correrias e de retrocesso e/ou retorno de Alas, Destaques e/ou Alegorias.

2º) A espontaneidade, a criatividade, a empolgação e a vibração dos componentes.

3º) A coesão do desfile, ou seja, a coerência de espaçamento o mais uniforme possível entre Alas e Alegorias, penalizando, portanto, a abertura de claros(buracos) e a embolação de Alas(Ala penetrando na outra).

Onde podemos ler o quesito EVOLUÇÃO, como o trabalho desenvolvido pela Harmonia da Escola, com a participação efetiva de todos os componentes. Não é quesito Harmonia.

No quesito Harmonia, é julgado o entrosamento entre o canto e o ritmo durante o desfile. Se a escola como um todo está cantando o samba, isso não é de competência total da equipe de Harmonia da escola e sim compatilhado com os componentes que são peças funcamentais. Isso tem de começar a ser pensado lá no início do trabalho, na escolha de um bom samba-enredo, de fácil aprendizado e canto. A escolha de samba enredo, deve ser séria, sem "amizades", “maracutaias” ou “apadrinhamentos”, pois é aí que se começa a se desenhar o mapa de notas.

Para Julgar o quesito Harmonia, o julgador deve considerar os seguintes aspectos:

1º) A perfeita igualdade do canto do Samba-Enredo, pelos componentes da Escola, em consonância com o Intérprete e a manutenção de sua tonalidade.

2º) O canto do Samba-Enredo, pela totalidade da Escola.

3º) A harmonia do samba.

Muitas vezes os dois quesitos, Harmonia e Evolução, até mesmo entre diretores responsáveis por eles, em alguns desfiles eles foram fundidos criando assim o quesito “Conjunto Harmônico”.

CONJUNTO HARMONICO

Neste quesito o julgador irá avaliar o perfeito entrosamento entre o ritmo e o canto, bem como o andamento coeso da dança de acordo com a cadência uniforme da Bateria. Deve ser observado, a perfeita igualdade do canto do samba enredo pelos componentes da escola, na mesma tonalidade do interprete, durante todo o desfile.

- o entrosamento entre o canto, ritmo e a dança, inclusive nas alas de passo marcado.
- o andamento progressivo do desfile de acordo com o ritmo imposto pela bateria.
- a manutenção do espaçamento o mais uniforme entre alas e alegorias.
- a espontaneidade, a empolgação e a vibração dos desfilantes.
E PENALIZAR: - a falta de harmonia do canto, ou seja, a ocorrência do fenômeno chamado de "atravessamento do samba" que acontece quando uma parcela dos componentes canta uma parte da letra, enquanto outra parcela, concomitantemente, canta outra parte da mesma letra, entoando outros versos;
- a ausência do canto do Samba-Enredo, em segmento da Escola; e,
- a falta de harmonia do samba, que pode ocorrer quando houver divergência entre o ritmo imprimido à Escola pela Bateria, que não é mantida e/ou acompanhado pelo canto da melodia do Samba.
- a ocorrência de correria;
- a ocorrência de retrocesso e/ou retorno à pista de Alas, Destaques e/ou Alegoria, durante o desfile da respectiva Escola; e,
- a embolação de Alas e/ou Grupos. (Ex.: uma ala adentrando em outra).
- a abertura de claros (buracos),
NÃO DEVERÁ LEVAR EM CONSIDERAÇÀO: - a eventual pane no carro de som e/ou sistema de sonorização da Avenida; e,
- a abertura de claros (buracos) que ocorram por necessidade técnicas naturais do desfile, dentro dos limites necessários, ou seja, os espaços exigidos para:
- exibição de Mestres-Salas, Porta-Bandeiras, Comissão de Frente e coreografias especiais;
- colocação e retirada de Baterias de seus recuos próprios.;
- questões inerentes a quaisquer outros Quesitos.

MESTRE-SALA & PORTA-BANDEIRA
O Bailado do Mestre-Sala e da Porta-Bandeira

Realizamos uma investigação sobre a dança do samba, no Bailado do Mestre-Sala e da Porta-Bandeira, a partir da necessidade da arte, uma interpretação marxista de Ernst Fischer, tendo como passarela a Cidade do Rio de Janeiro e considerando o período do século XX, no qual o sambista se organizou em agremiações e ocupou o espaço físico e psicológico da cidade, abrindo as portas do espaço social, quebrando conceitos (samba, coisa do morro) e preconceitos (samba, uma quizumba).

O trabalho tem o objetivo de verificar se, no caso da dança do samba, a arte, sobrepondo-se ao momento histórico, exerce o fascínio sobre o homem; e revelar a trama complexa de comportamentos e seus resultados em uma cultura, expressão de um mosaico fluido. No processo, comparamos diferentes linguagens em busca do bailado como um instrumento mágico capaz de conduzir o bailarino a viver e transmitir a experiência da humanidade; analisamos a dança como objeto de conhecimento inserido em uma cultura; examinamos, como atividade humana, em suas celebrações e simbolizações; descrevemos o contexto coreográfico, que, sendo cena, revelou-nos as suas características, e estudamos a estrutura formal, para identificar os elementos que compõem o trabalho artístico, sempre alumiadas pela voz de Fischer, o nosso teórico, e suas interlocuções com outros, que se apresentaram, para responder a nossos questionamentos. Felizes, concluímos que, intencionalmente, o sambista buscou instrumentos para tornar-se aceito no espaço da cidade, e a festa foi o motivo facilitador; sendo o samba, isomorfo de um mosaico cultural, alimentou-se com as trocas realizadas com o movimento modernista, e, juntos, ajudaram a construir o perfil da cidade, uma cultura verdadeiramente brasileira.

Muitas vezes nos deparamos com a máxima de que o mais importante numa escola de samba é o pavilhão! E o que é o pavilhão, senão o símbolo que representa a historia de uma comunidade, de suas glórias, seu trabalhos, tradições, frustrações...

No fundo representa a sobrevivência de uma história de sonhos... costurada, bordada, desenhada e hasteada aos quatro ventos...

Representa sempre uma história apaixonante. Alguns pavilhões têm amores e paixões declarados aos brados exaustivamente, ou mesmo guardados no intimo de abnegados admiradores. Às vezes esses amores e paixões ficam recolhidos por inúmeros motivos, que ninguém ousa desvendar. Guardam paixões inquestionáveis, fundidas em histórias de vidas dedicadas anos a fio...Brilham e bailam nas mãos de nossas Portas Bandeiras, protegidas por seus guardiões... Os mestres sala, que num minueto fenomenal nos encantam tal qual um beija flor encanta e mostra a sua flor, seja nos ensaios nas quadras, nos terreiros, nas ruas, nas avenidas ou nos desfiles principais, sempre com a mesma galhardia e brilho.

Os pavilhões resumem a história de glória, a soma de muitos amores, de choros, de raiva e infelizmente de ódio. Isso muitas vezes é decorrente das incompreensões entre os vaidosos sambistas, ou mesmo à falta de humanidade dentro da hierarquia que os regem. É sabido que no fundo, o amor por um pavilhão não morre jamais, fica guardado em nossos corações. E mesmo distante e com todo “desgaste da relação” a nós muitas vezes é ofertado no momento da despedida final, pois sempre, tem aqueles que reconhecem a magia dessa estreita relação .

Às vezes, quando o pavilhão passa à nossa frente, sorrateiramente nossos olhos lacrimejam de emoção mesmo quando estamos “de mal com a escola”, com um dirigente, ,com uma equivocada administração, descaracterização, ou mesmo um equívoco de nossa parte, que também acontece e como... Mais nunca! De forma alguma esse “mal” chega até o pavilhão!

As crianças que são a renovação natural dos velhos sambistas, vão se apaixonando e fazendo parte dessa engrenagem substitutiva, numa “seqüência impressionante” ... É esse o amor de que falo, e que faz meus olhos encherem de lágrimas... É esse o amor que arrebata desde crianças até a velha guarda e assim, vai construindo a história de uma escola de samba e a sua glória.

Mas é bom termos em mente sempre que tudo isso somente é possível e verdadeiro se priorizarmos o ser humano, a vida, o grande projeto de Deus...O homem! Portanto, somente é possível ser tocado pela grandeza de um pavilhão, quando conhecemos a história das pessoas que com dignidade e nobreza teceram os seus primeiros fios e de todos os outros que ao longo do tempo vão retocando sua história com outros fios de abnegação, de respeito e de amor, deixando o seu bailar sempre vivo.

Para os sambistas apaixonados, sei que o que escrevo agora causa estranheza mas quando alguém lhe disser que é PAVILHÃO! Tenham respeito pois essa pessoa é o “pavilhão vivo” e sem ela tudo não passa de um mero objeto, um pedaço de pano...

ALA DE PASSISTAS

Ala das passistas tem que mostrar samba no pé e graça no resto

Como um laboratório dentro da escola, é dali que saem muitas rainhas e princesas

Cada vez mais a ala das passistas ganha espaço nas escolas de samba. Não apenas pelo número de componentes – 40, 50, ou mais do que isso –, mas pela importância que tem. Funciona, ou deveria funcionar, como uma espécie de laboratório.

Dali saem muitas meninas, especialmente, que mais tarde fazem parte da corte como princesas e rainhas. Incontáveis são aquelas que viram cidadã-samba. Ser passista é um conjunto gestual. Não basta apenas ter samba no pé, é preciso ter graça e sensualidade.

Passista é símbolo da alegria que envolve o Carnaval, potencializa o significado do samba. Nem sempre percebidas pelo público, causam encantamento quando descobertas. São ao mesmo tempo estrelas e coadjuvantes.

Tradicionalmente, elas foram chamadas de cabrochas. Eles, os homens, de bambas. Diferentemente de algumas outras funções nas escolas, a passista nem sempre é paga. No máximo, ganha a fantasia. Com sorte, quando integram o grupo show, consegue uma remuneração. Mas isso é raro.

Muita dedicação, apesar de estar no sangue

Historicamente se entendeu que “o passista nasce feito”, “que está no sangue”, “que é DNA”. Ninguém assegura mais isso.

Assim como em outras atividades, o aprendizado, a dedicação e o acúmulo de experiência mostram que as academias de dança de todo o Brasil contribuem para formar novos passistas.

O passista, na atualidade, é uma das poucas figuras da escola que ainda se define pelo “samba no pé”.

GALERIA DA VELHA-GUARDA
Sr. Sérgio - Eterno Presidente.

A IMPORTÂNCIA DA VELHA GUARDA PARA O SAMBA E A CULTURA BRASILEIRA

A Velha Guarda tem uma importância fundamental não somente para as Escolas de Samba, mas também para a cultura do samba como patrimônio de uma das mais tradicionais cultura genuinamente brasileira, que é o samba.

Entendo que a principal função de uma Velha Guarda é justamente manter viva as tradições, matriz fundamental que diferencia o carnaval brasileiro do restante dos carnavais que acontecem no mundo.

Com o “Crescimento das escolas de Samba”, se é que podemos chamar de crescimento, muito se prioriza a parte financeira para a subsistência material das escolas de samba, esquecendo da parte cultural elemento fundamental para manter viva a riquíssima história das agremiações. Hoje com raras exceções MUITAS agremiações tem desprezado essa camada do samba nacional, que são os nossos “Cabeças Brancas”. Justamente os que iniciaram e que mais contribuíram e contribuem para o enriquecimento cultural dessa manifestação nacional chamada ESCOLA DE SAMBA.

A Velha Guarda numa escola de samba é de extrema importância para o desenvolvimento da agremiação, uma vez que a Velha Guarda é a guardiã das tradições da escola, velando para que ela não perca a sua identidade. Ela faz parte do contexto da escola e é formada principalmente por seus fundadores e integrantes que se destacaram na agremiação como passistas, mestres salas, batuqueiros, etc., e soma-se a isso as nossas queridas Baianas que no inicio do século passado ajudaram a criar o samba no Brasil.

Os membros das Velhas Guarda teoricamente participam ativamente da administração da escola, opinando, fiscalizando, mantendo as tradições da escola e de samba e são constantemente consultados por seus dirigentes. Assim é garantida a identidade do samba e do carnaval. Infelizmente não é bem assim que vemos as coisas acontecerem as velhas Guardas andam distantes do centro das decisões.

Antigamente a Velha Guarda vinha na frente apresentando a escola, e, após apresenta-la, retirava-se para as laterais aguardando a passagem da agremiação voltando ao final cumprimentando o público e encerrando o desfile. Hoje, com o advento do CARNAVAL SHOW, foi substituída, na abertura do desfile, pela comissão de frente. Talvez por não serem considerados como “QUESITOS” as Escolas de Samba não lhes dão o devido valor.

Sua importância no carnaval tem levado à criação das Associações das Velhas Guarda composta pelas escolas de samba do carnaval fazendo seus encontros.São confraternização entre as agremiações, homenagens, Batismos, rodas de conversas, etc.

Aqui em São Paulo, é preciso algumas providências urgentes, que acredito que possam ser resolvidas somente através de leis municipais.

Primeiro destinando uma verba para subsistência das velhas guardas e depois criando um lugar definitivo no Sambódromo para que possam assistir aos desfiles. No quesito samba, as nossas co-irmãs do Rio de Janeiro andam anos luz em nossa frente. Lá as Velhas Guardas se constituem no “Pavilhão Vivo”, portanto sabiamente a vida os tornam mais importantes que um Pavilhão de pano. Através de lei municipal os “cabeças brancas” cariocas tem seu lugar garantido no Sambódromo e muito respeito pelos componentes das escolas a que pertencem.Esse é um premio mais do que justo aos guardiões do samba.

E lá vem eles, primeiro os fundadores, (fundadores são todos que estiveram no momento da criação da escola, não são somente os que assinam ata de constituição como diretoria) depois os que conviveram com os fundadores e assim sucessivamente. Dessa forma constitui-se uma Velha Guarda.

Os quesitos básicos para se tornar um "Velha Guarda" são:

Idade acima de 50 anos.

Ter uma História dentro da Escola.

Ter no mínimo 25 anos de serviços prestados a uma mesma agremiação.

Conhecer a História de sua agremiação,

Salve a Velha Guarda!!!!

SAMBA da VELHA-GUARDA

Sou a Velha Guarda do Arranco
Com muita dignidade
Sou a voz da experiência
Sou desprendido de vaidade
Vou honrar o pavilhão
Da minha escola
E saudar a multidão (a multidão)
Ao retirar minha cartola
Vou provocar o aplauso
Quando na avenida eu passar
E um rastro de saudade
Nos corações eu vou deixar